Já passei dos 30 faz tempo… Sou mãe de duas crianças e pelas regras impostas pela vida, não deveria mais brincar de bonecas. Adultos são feitos para trabalhar, pensar em como ganhar dinheiro, devem ser ambiciosos profissionalmente e só dar gargalhadas depois de beber um pouco. Certo? Não para mim. Minha busca é por um cotidiano mais leve.

E se costurar, recortar papéis coloridos, escrever cartões para minhas amiga e brincar de bonecas me ajuda a alcançar essa meta, eu topo. Mesmo que me chamem de ridícula.

Dia desses tive um fim de tarde encantado com tudo que faria qualquer criança feliz. Coca-Cola, bolo de chocolate transbordando cobertura, sentada num banco ao ar livre, com céu azulzinho e pôr sol amarelado_ daquele jeito que o povo do cinema chama de “hora mágica”. Poderiam ser 3 meninas brincando de boneca: eu, Ruby Fernandes e Lou Grimes.

Li uns livros de psicologia que dizem que retornar aos hábitos que nos faziam bem na infância pode ser uma forma de trazer calma e ordem para a loucura da vida de gente grande. Não sei se é só teoria, mas não custa tentar. E a mera tentativa já me deixa bem. Fiquei animada a semana toda pensando no dia desse encontro.

Vesti meu vestido costurado por mim, embalei mimos para as meninas, enchi minha alma de paz e energia e fui.

O encontro foi marcado para a Lou me entregar a Blythe que eu comprei dela. Há anos eu sonhava em comprar uma boneca dessa e, por muitos motivos, adiei esse desejo de consumo. Em 2010, contei a história das Bltyhes e a minha vontade de ter uma. Está AQUI.

A Blythe é boneca para adulto. E o bacana é que Lou é especialista em deixá-la do jeito que você quiser. Ela é uma customizadora de Blythes. E, sim, acredite, isso é profissão. Só no ano passado a Lou customizou mais de 200 bonecas que vieram do mundo todo para a casa dela pelos Correios e foram devolvidas maquiadas, com cabelos coloridos, com olhos exóticos.

Há até lista de espera para quem quer ter uma boneca exclusiva.É um trabalho artístico delicadíssimo. Ela lixa os rostos e pinta tudo à mão. Todas as bonecas são assinadas, numeradas e nenhuma é igual a outra. No site dela estão registradas 266 dolls. Cada uma com uma personalidade. A minha está lá.

Voltei para casa toda contente com minha Blyhe na mão. Cheguei, abri o pacote e mostrei para minha filha Alice, que nem deu muita bola. Olhou sem demonstrar o menor interesse (ufa!). Tem brincadeira de criança que só acalma coração de adulto mesmo.

Fotos: Viviane Basile (apenas as duas primeiras imagens) Ruby Fernandes