As colchas de retalho fazem parte das minhas primeiras lembranças. Quando eu era bem pequena, adorava me envolver nas colchas bem macias costuradas pela minha avó. Eu e meus pais íamos visitá-la na fazenda. E lá dormíamos num clima fresquinho, naquele casarão sem forro, onde fícavamos observando os detalhes das telhas até o sono chegar.

Não exista placa de corte, régua especial, nem cortador. Tudo era feito só na tesoura. Ah! E ninguém nunca tinha ouvido falar em manta acrílica para rechear as colchas. O forro costumava ser de algodão cru. E depois de muitas lavagens a colcha era um conforto só.

A tradição foi passando para frente. E assim, dormimos em colchas feitas pela minha tia Mariana e pela minha mãe. Aliás, esse é um dos maiores prazeres quando visito meus pais. Lá sempre sou recebida com uma roupa de cama branquinha e perfumada. E na hora de dormir, minha mãe sempre me cobre com uma colcha de retalhos.

Na última vez que passamos um feriado na casa dos meus pais, tinha uma colcha nova na cama do meu filho Lucas. Obra da minha mãe para presenteá-lo.

E aí vem a parte mais emocionante de uma colcha de retalhos: olhei cada pedacinho e lembrei dos projetos que fiz. Tinha o restinho da calça de pijama de peixinhos, os tecidos que sobraram das oficinas que eu e a Maíla demos ateliê, os importados de carros que estavam encalhados no meu armário. Assim, a colcha além de aquecer meu filhote, também conta uma história como eram as colchas da minha avó que tinham retalhos dos tecidos das calças e camisas do meu avô.

É uma nostalgia boa. Um amor de família costurado ali_ quadrado por quadrado. Fiquei muito agradecida pela minha querida mãe ter tido o trabalho de fazer essa recordação para o netinho Lucas. E espero que essa mesma colcha embrulhe, um dia, também meus netos.

Obrigada pelo carinho, mãe.

Maria Antônia, te amarei para sempre.