É uma febre. Qualquer revista que você abra vai acabar encontrando um artigo sobre a tal vida minimalista. Pode ser na publicação semanal de  notícias, na revista de decoração, no site de receitas culinárias e a té nos almanaques de moda. Por todo lado, vemos dicas de como reduzir  o guarda roupa, como acumular menos móveis e bibelôs, como cozinhar  com menos panelas e por aí vai… Agora, você, costureira amiga! Sim, vamos ter uma conversa sincera. Por favor, me conta. Como viver de um jeito minimalista quando você ama um craft? Olha, eu tenho tentado fazer a minha parte. Mas, esse é um desafio dos grandes.

Tudo começou quando decidimos mudar para os Estados Unidos. Não trouxemos mudança, então foi aquele drama: 2 malas para cada pessoa da família. Era o resumo do resumo, só os itens do coração. O que significou para mim escolher tecidos, botões, moldes e livros. Sim, eu deixei sapatos e calças jeans para ocupar meu precioso espaço na bagagem com materiais craft. E ainda sobrou muito no meu quarto de costura_ uma quantidade exorbitante_ o suficiente para fazer um bazar e vender para os amigos. Confesso que fiquei assustada enquanto reunia os itens e colocava os preços. Pra que diaxos eu precisei comprar e acumular tanta coisa nos últimos 10 anos?

Bem, eu teria mil justificativas. Poderia fazer uma lista. Dizer que eu aproveitava promoçoes, que gostava de procurar novidades quando viajava (Hum! E ainda gosto), que morava longe dos armarinhos e por isso preferia o conforto de ter todas as variedades de botões e linhas nas minhas gavetas. Vamos combinar? Loucura pura. Ou melhor, consumismo na veia.

E o frustante é ver que com o tempo tecidos que significavam muito e pareciam os mais incríveis do mundo passam a ser feios. De tanto olhar aquelas cores e estampas, eles perdem o brilho_ ainda que continuem os mesmíssimos que saíram da loja.

Há 1 ano tenho tentado seguir uma nova direção. Por exemplo, no caso dos tecidos a regra é comprar e cortar. Mas nem sempre funciona. Continuo a boba que tem dó quando o tecido foi muito caro ou quando acha ele tão lindo que nenhum projeto é suficientemente adequado.

A pilha de moldes já cresceu de novo e muitos ainda estão na embalagem. Será que estou recomeçando a juntar, juntar, juntar? Enfim, é uma eterna busca, um longo policiamento. Nessa América onde tudo é vendido e a indústria adivinha nossos desejos muito antes de sabermos que eles existem fica ainda mais complicado.

Mas tenho tentado ver a situaçao pelo outro lado: penso que as mercadorias estao a distância de um número de cartão de crédito e um clique e mentalizo: nao faz nenhum sentido encher armários. Avancei bastante, mas ainda há um longo caminho até alcançar a tal vida minimalista pregada nas revistas.

Nessa minha nova fase, estou bem resolvida com a quantidade de pratos, louças, maquiagens e roupas. Mas você, minha amiga costureira, vai me entender: quando o assunto é tecido, botão e linhas, o coração é mais fraco. Será que um dia eu chego lá?

Sinceramente, lá no fundo, não sei se posso. Não sei se quero. E você? É da turma do acumula? Ou já passou disso? Me conta?!