Depois de um breve período ausente, reapareci. Esperei estar inteiramente recuperada até voltar a fotografar, registrar como anda a vida e compartilhar minhas conquistas no mundo das costuras. Dessa vez, escrevo de longe. Estou em um novo quarto de costura, uma nova casa e um novo país. Com tanta novidade eu precisava mesmo de um tempo até a poeira baixar e eu me sentir suficientemente confortável para estar aqui.

Muita coisa aconteceu desde novembro de 2015. Eu e minha amada família embarcamos numa grande aventura que exigiu trabalho, desapegos (do sol, louças e tecidos ao emprego) e coragem de enfrentar mudanças internas e externas. Mudanças assustam. Não são fáceis. Eu sempre tinha morado em Brasília e apesar de acumular milhagens mundo afora, nunca tinha arrumado as malas para viver em outro país.

Quer dizer, mais nova tive as abençoadas oportunidades graças aos meus pais de estudar nos Estados Unidos e na França. Mas, morar pra valer, alugar casa, fazer supermercado, cancelar assinatura de jornal e trocar endereços foi a primeira vez.

Chegamos 2 dias depois do Natal. Meio mundo comemorando reveillon e a gente cheio de dúvidas e ansiedade em um quarto de hotel. Num inverno pra lá de rigoroso, vivemos uma sinergia familiar deliciosa. Eu, Juliano, Lucas e Alice dividimos com calma, pensamento positivo e amor cada minuto dessa fase. Uma semana depois de aterrissar no aeroporto de Washington DC, já estávamos na nossa casinha.

E olha, quando eu digo casinha, não estou me referindo apenas carinhosamente. Abrimos mão de uma casona super confortável com piscina e jardim para viver nosso american dream numa townhouse _ jeito metido a chique para falar de uma casa geminada de dois quartos.  Pequena, mas muito charmosa! E que nos dá muito orgulho.

Só agora começamos a sentir uma pontinha de estabilidade. Sabemos onde fica o supermercado, onde cortar o cabelo das crianças, onde ficam os armarinhos e as lojas de tecidos (opa! Informação importante, hein?). Juliano segue firme em busca de notícias e fontes em seu trabalho jornalístico, Lucas fez amigos e está indo bem na escola gringa, Alice ainda chora porque não entende a professora; enquanto eu cumpro meu desafio de aprender a cuidar da casa (assunto para outro dia!), aperfeiçoar meu inglês e me dedicar às minhas eternas pesquisas costurísticas.

Mudamos de país pela oportunidade de trabalho e também pela chance de oferecer aos nossos filhos um novo olhar sobre o mundo. Hoje vejo que além disso, há ainda a possibilidade de alcançarmos um novo olhar sobre nós mesmos.

Afinal, estamos distantes da família, dos amigos, dos colegas de trabalho e dos julgamentos das pessoas que nos amam e daquelas que não gostam da gente também (porque sempre tem, ne?).

São só 6 meses, mas nesse período já sinto que MUDEI. A luta para que a mudança seja para melhor é diária. E quem disse que seria fácil?