Oi!

Meu amor pela costura vem de casa.

A primeira máquina de costura que vi na vida foi a Elgin Genius da minha mae. Era daqueles modelos que ficavam escondidos, de cabeça para baixo, em um armário de madeira. Minha mae a deixava, discretamente, em um canto, ao lado de um janelão, próximo da mesa de jantar. Era ali que Maria Antônia passava suas horas livres. Ela era professora de escola pública. Trabalhava bastante. E quando podia lá estava com seus moldes e tesouras. Talvez tenha vindo daí a minha associação da costura a momentos de relaxamento e prazer.

Na nossa rua havia uma loja de tecidos, a Nice Modas. Éramos amigos dos donos, o Seu Elmo e a Dona Adalgísa. Lembro de estar sempre por lá com a minha mae escolhendo tecidos e aviamentos. Naquela época, comecinho dos anos 80, o consumismo era bem menor. Minha mãe costumava planejar bastante o projeto e comprar a medida exata de tecido. Não havia desperdício. A Dona Adalgísa também era costureira e eu lembro com carinho dela e da minha mãe trocando ideias sobre acabamentos e aviamentos.

Fui a varios bailes de 15 anos e formatura com os vestidos costurados em casa. Eu me sentia especial ao vestir uma peça em que tinha acompanhado da escolha do material até os últimos retoques. Lembro de ir a festas, onde as meninas da minha idade usavam vestidos importados que eu jamais teria acesso, mas _sinceramente_ eu achava os meus ainda mais bonitos. Talvez na realidade não fossem, mas a minha auto confiança naquelas peças confeccionadas com tanto amor, me diziam que sim!

Hoje, a Elgin Genius da minha infância continua a trabalhar firme e forte. Dona Maria Antônia se aposentou, ganhou dois netos, construiu outra casa, onde encontrou uma nova janela para iluminar seu canto de costura.

Quero dividir esse espaço com você que tem vontade de aprender a costurar ou tricotar. Vamos alinhavar informações e trocar experiências sobre agulhas, pontos e tecidos.

E eu tenho o meu. Um ateliê espaçoso, com uma porta imensa de vidro, que dá acesso a um jardim. Do lado de dentro, vejo o pé de acerola e o salgueiro-chorão sempre bem verdinho. Neste espaço, ligo minha caixinha de som e esqueço dos problemas da vida. Corto tecidos, consulto meus livros, quebro a cabeça até encontrar a melhor solução para vestidos, saias e blusas. É onde guardo meus tesouros: a máquina de costura de brinquedo da Estrela (idêntica a que eu tinha quando era pequena. Presente mais do que valioso da Claudia, da saudosa Casa Quilt), a Janome da Hello Kitty, minhas sonhadas e conquistadas Bernina. Nas gavetas, está a coleção de tecidos Liberty_ que não tenho coragem de cortar, metros de viés coloridos, as lãs tingidas à mão, os moldes que fui acumulando para futuros projetos. E tem ainda as revistas, as bonecas, os cadernos lotados de anotações feitas nos diversos cursos que participei.

Quero dividir esse espaço com você que tem vontade de aprender a costurar ou tricotar. Em breve, oferecerei aqui cursos e vivências relacionadas ao amor pelo trabalho manual. Será um prazer compartilhar minha mesa de costura e o sofá onde tricoto com quem também se interessa pela arte têxtil.